O Pobre Pode

Temos uma revolução silenciosa em curso nesse país, uma que não lutará com baionetas nem canhões, mas pode mudar a cara da nação muito rápido, se os poderes de fato não conseguirem dar o que golpe que andam sonhando: você pode não ter reparado, mas o pobre começou a perceber que pode votar em pobre, porque o pobre também pode governar bem.

Méritos do Lula, que não se formou na Sorbonne mas fez um governo que, mesmo admitindo que não foi o melhor da História, foi pelo menos «na média» ou pouco acima dela. Então, se um homem sem doutorados nem teses conseguiu fazer o basicão, e até o fez bem, então qual é exatamente a necessidade de votar nos luminares, especialmente quando eles são pouco sensíveis ao que povo pensa?

Outros exemplos começaram logo a surgir. O jogador de futebol Romário revelou-se um parlamentar ativo e articulado, apresentando projetos interessantes na defesa dos deficientes físicos e mentais, investigando as obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas, tentando de alguma forma ajudar as entidades de apoio à Ciência e à Educação, etc. Até o palhaço Tiririca revelou-se bom deputado, apresentando projetos viáveis e válidos na área cultural e educacional.

Esses exemplos começaram a fazer o povo criar coragem de experimentar. Fortaleceram nossa democracia, as pessoas começam a votar em pessoas que espelhem os seus próprios ideais. E aí começaram a surgir casos folclóricos, como o trocador de ônibus eleito prefeito, o filho estudioso do carroceiro que jurou deslocar-se até a prefeitura em primeiro de janeiro na carroça com que o pai trabalhador pagou os seus estudos.

O velho discurso do «mais preparado» está ruindo pelo país inteiro: as pessoas estão começando a ver que para ser político, especialmente em nível municipal, não é preciso nenhuma formação específica, apenas lucidez, certa inteligência, alguma matreirice e uma boa dose de idealismo e boa vontade. Quanto tempo até que isso comece a influenciar nossos partidos e a transformar nossa prática política?

Difícil dizer, mas se os coturnos não vierem pisotear a flor da democracia, cada vez mais viçosa, ela logo desabrochará em um sistema mais humano e mais próximo do povo. Talvez exatamente por isso haja tanta gente influente apavorada. O povo, ora, o povo...

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